quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Amor e Solidão, de mãos dadas

A solidão, "bicho" que se nos pega a todos em algum momento das nossas vidas, é-me bem conhecida...
Conheço-lhe os diferentes vestidos; as suas mudanças de humor... os seus truques para se imiscuir com o nosso ser.
Conheço-lhe, as suas feições, e distingo-lhe, ao pormenor, o que ela pensa quando olha impavida o pôr do sol.
Por isso, resolvi deixa-la entrar uma vez mais no meu coração... Por isso, e pelo facto de, aparte os momentos em que amava profundamente, ela ter sido quem mais força me deu, em toda a minha vida.

Amor... contraste complexo, o do Amor e o da Solidão.
Ambos, conseguem andar de mãos dadas, mas misturam-se tão bem, quanto o azeite e o vinagre...
É quando um é mais forte, que notamos o outro de uma forma mais, ou menos subtil.

Depois de meses vividos em extrema emoção, meses em que o Amor se instalou em meu coração, eis que Ele se decidiu que teria que partir, sem nada dizer...
Sem nada dizer? Não. Ele avisou-me. Subtilmente, ele avisava das suas intenções. Mas eu, deixei-me levar, e no momento em que ele partiu, foi como se fosse atingido pelo grande Vazio.

Depois de partir, o Amor deixou em mim as cicatrizes, de onde as suas raizes estavam, arrancadas de um titânico puxão... um puxão, que levou tambem, agarrado, grande parte do meu coração.
E sem o Amor ocupando a sua casa em meu peito, a Solidão, bateu á porta do meu coração, cheia de frio e completamente encharcada do vendaval que se desencadeava em todo o meu Ser.

E durante meses, a busca pelo Amor, aliado ao facto da Solidão ser alguem bastante persistente, lutando contra os ventos fortes, montanhas invernosas, e uma escuridão sem igual, o meu Ser desgastou-se a um limite tal, que em chegando a uma fria caverna, no meio de uma enorme montanha, com uma tempestade de neve lá fora, ensopado, tremendo com frio e quase sofrendo de hipotermia, se decidiu, a dar o ultimo sopro, ali, no meio do nada, sozinho...

Foi então, que sem mais forças, deixei as portas do coração abertas, e a Solidão entrou.
E Ela, sabendo que tinha pouco tempo, e muito que fazer, pôs-se ao trabalho.
Fechou de imediato as janelas, que tinham ficado escancaradas com a força do vendaval que parecia querer arrombar de vez o coração.
Ligou a lareira, que apesar de apenas ter madeira humida, a Solidão fez um esforço para que se mantivesse acesa. O cheiro a madeira molhada inundou o espaço já de si cheirando a mofo, por não ter sido limpo há muito, mas a Solidão, é persistente, e não se deixou abater no seu esforço.
Depois de conseguir uma chama, mesmo que fraca, para acicatar a brasa a manter-se viva, voltou-se para o resto do espaço: um misto de poeira com alguns bons milimetros de espessura, livros e mapas e informações por demais todas espalhadas devido as janelas que se tinham aberto antes, teias de aranhas nas vigas de madeira, que começavam a ficar com um aspecto esverdeado, doentio, e um escuro breu, sem qualquer lamparina ligada, dando ao espaço, um aspecto de onde nem um vagabundo se quereria instalar.

Mas a Solidão, é prevenida...

Tirou da sua sacola, algumas velas, feitas de uma cera e pavio, que muito raramente se apagam. Num passo corrido, e cantarolando algo sem nexo, para tentar dar animo ao que ainda tinha por fazer, meteu as suas velas nas lamparinas do meu coração, e acendeu-as, uma por uma.

Após estarem todas acesas, a Solidão contemplou melhor o espaço. Ainda parecia mais sujo agora que as lamparinas estavam acesas, mas ao menos, o espaço parecia um pouco maior. A lareira soltou um leve crepitar, fazendo a Solidão olhar de repente para trás. Viu umas boas brasas, apesar de ainda não estar com uma chama muito viva. Mas a Solidão, fazendo um leve sorriso de lado, e olhando ternamente para as brasas, pensou: "Isso, meu pequeno... luta, um pouco de cada vez. Deixa o resto por minha conta, meu pequeno."

Com a sua força aumentando, a Solidão pôs mãos á obra. A situação ainda não era de todo, fora de perigo... e o tempo não estava a querer ajudar.

Pegou em todos os mapas, informações e outras papeladas, acumuladas enquanto eu procurava desesperadamente pelo Amor, e jogou tudo na lareira! Ao menos, que aquelas recordações, servissem para aumentar a chama ainda fraca. A chama ressentiu-se com o que ia consumir, e a Solidão temeu por um momento, que ainda não estivesse suficientemente forte, para queimar aquilo que representava a busca que quase lhe tinha posto fim á vida. Mas aos poucos, mesmo que a custo notado, a chama foi consumindo os papéis. Primeiro, um a um, depois, começou devorando os papéis sofregamente. Quando os papéis estavam quase todos consumidos, já a madeira, apesar de ainda mal cheirosa, estava com uma brasa aconchegante, que transmitia calor. A Solidão não pôde deixar de soltar um riso que lhe ia na face de lado a lado, mostrando o contentamento que lhe ia dentro.

Encontrou a vassoura no chão, quase tapada por pó e papelada e outro lixo. Pegou nela, bateu umas quantas vezes no chão para retirar o pó. Começou a varrer, primeiro o grosso, grande parte da poeira que se tinha instalado, e o lixo espalhado por toda a casa. Quando já conseguia andar sem pisar nada de estranho, retirou um conjunto de novos panos da sua sacola, abriu a torneira, e deixou correr durante uns momentos, pois a agua vinha em turbulentos soluções, e com uma cor salobra, que mais parecia lama escorrendo. Passado uns momentos, quando a agua vinha limpa e fresca, tendo deixado as tubagens mais limpas, a Solidão pegou num balde, encheu de agua, e pôs uma frangrancia especial, feita por ela, na agua. "Isto far-te-á avivar um pouco mais", pensava ela, com o seu sorriso amoroso despontando.

E começou a esfregar tudo. Mesas, cadeiras, janelas, até as paredes, que em algumas partes já se denotava o bolor, não escaparam. E tudo parecia brilhar após a passagem do seu pano, imbuido com aquela mágica fragrancia...

2 comentários:

  1. Amigo, revejo-me em cada palavra que tu escreveste. O teu sentido penetrou violentamente meu peito fazendo-o recordar como é bom o AMOR e o efeito para que nasceu! A solidão porém, é fria e extremamente desumana.
    Encorájo-te vivamente a contuares a escrever pois se as tuas palavras foram tão cuidadosamente acolhidas em meu coração certamente que chegaram a ser sentidas plos demais carentes apaixonados.

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  2. tens uma capacidade de escita brutal! PARABÉNS!
    sempre que te sentires inspirado partilha...é sempre muito ler coisas lindas como as k escreves.
    A nivel do texto digo

    Amar nasce, cresce e morre comigo!
    Está comigo desde a concepção;
    Passa pela Infância;
    Passa pela Juventude;
    Passa pela Idade Adulta;
    Passa pela Terceira Idade.


    O Amor é uma constante aprendizagem
    E não consigo viver se
    Não o experimentar. Para tal,
    Tenho que me entregar
    Aos outros e a mim próprio,
    Com tudo e nada que sou.


    Mas o que é o AMOR?
    É um dom;
    É uma riqueza;
    É gratuito;
    É uma necessidade;
    É originário de Deus.


    O AMOR é ainda
    Uma imitação
    Alcançavel a todos;
    É uma liberdade que abrange o Homem
    A partir do momento em que ELE desenha
    O nosso Projecto de Amor.


    Como encontramos o Amor?
    Como o sentimos?
    Como aprendemos a senti-lo?
    Quando estabelecemos uma relação
    Que nos leva á felicidade plena
    E não podemos fugir deste Amor!


    Este Amor é tão grande, profundo e sublime
    Amar não é uma utopia,
    Ama e entenderás!
    Só amando sou eu mesmo
    Cumprindo a missão
    Do Pai para comigo.


    Como tudo o Amor
    Exige trabalho;
    Exige um compromisso...
    É um caminho exigente
    E onde vamos encontrar
    A Civilização do Amor?


    Amar é ir pelo mundo fora
    Falar da Boa Nova de Jesus
    E no final receber a recompensa
    De um sorriso, de um abraço
    Ouvir alguém dizer: Se Jesus me ama assim,
    Porque só agora entendi?


    Amar está num simples abraço;
    Amar está num simples olhar;
    Amar está numa simples palavra;
    Amar está em todo o lado
    Basta abrir os olhos do coração e
    Espalhar gestos e palavras reconfortantes.


    Amar é ser feliz;
    Amar é sorrir;
    Amar é espalhar
    Sementes de Alegria e Paz.
    Amar é ser modelo do que
    Deus me ensinou.


    Amar é deixar-me
    Envolver pelos TEUS gestos,
    É escutar a TUA voz suave
    Que chega através de um AMIGO
    Que também se deixou amar por TI
    Pois percebeu que só ele calará este grito de dor


    Amar é simplesmente
    Dizer a um Familiar,
    Dizer a um Amigo
    GOSTO MUITO DE TI.
    É simplesmente abraça-lo e
    Sorrir com ele.


    Amar consiste em
    Acreditar que sou capaz de ir mais longe,
    Mesmo que pareça perder o rumo. Sei que há
    Alguém que me vai erguer fazendo brotar do meu
    Rosto um sorriso que não terá fim
    Pois é o AMOR de Deus que está em mim.


    Amar é uma palavra
    Tão pequenina mas que,
    Tem um significado tão grande
    E que a todos nos
    Enche de animo, fazendo
    Brilhar os nossos olhos.


    Joana Laranjeira


    Se AMARMOS assim jamais sentiremos a SOLIDÃO ;)

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